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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

I feel like i'm doing and leaving everything half-done. And it annoys me, really. 


domingo, 4 de dezembro de 2011

Quando dei por mim, já tinha voltado aos meus instintos. Estava com a cabeça apoiada numa almofada com cheiro a canela e um cobertor enorme, encarnado. Estava escuro, muito escuro. Ou talvez, não assim tão escuro., pois via-se pequenos pontos luminosos salpicados nas janelas. Calculei que fosse noite. Antes de começar a fazer perguntas soltas ou a vaguear pela sala vazia tentei medir a minha sanidade mental. "Não estava má de todo." Sentei-me, tentando distinguir os tons mais claros dos mais escuros, da sala. O dono das mãos melodiosas caminhava lentamente na minha direcção. Comecei a ter a sensação que devia estar com um aspecto horrível e estava também com um gosto amargo na garganta, que se alastrava até à língua. Devagar, ele pousou a mão na minha cabeça e acarinhou-a. Acho que murmurei algo parecido a "não estou a entender" e de seguida ele apontou uma direcção com o dedo indicador, mostrando-me o caminho para a casa de banho. O sorriso amável dele já me estava a mexer com o sistema nervoso, confesso. Levantei-me rapidamente, fiquei com tonturas, mas tentei caminhar o mais normalmente possível até à casa de banho. Liguei a água quente e fiquei a senti-la, escorrer pelos nós dos dedos e brincando com ela. De seguida despi-me e entrei na banheira., deixando a água caminhar pelo meu corpo perturbado. Mas que raio?..
Esqueci o resto, a água absorveu-me por instantes.

Os livros já estão espalhados sob a cama, prontos a ser folheados. A chuva cai pausadamente lá fora e eu observo-a, e sigo-a como quem está a ser hipnotizado. A vontade de estudar foi de viagem, e já está tão longe.. Oh se está!, Estou agora a olhar para ti, empoleirada na minha janela, tão atenta quanto eu, à chuva que escorre pela vidraça. Fitei o tecto, a tentar imaginar como seria ver pelos teus olhos tão mais escuros que os meus. Estou certa que seria fascinante. Mas, sabes o que seria ainda mais fascinante? Ter essas tuas asas brancas, tão frágeis, tão cheias vida, tão não eu. Oh, ainda se eu fosse como tu e não soubesse o que é a maldade, provavelmente teria asas também. Que inveja, confesso.. 
Por agora vou limitar-me à minha insignificância, e tentar dar asas à minha inteligência, para ver se capto alguma coisa, que bem preciso. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Estás a ver porquê que não podes ir embora? Tem que haver alguém que me limpe as lágrimas quando ele desaparece do meu mundo.., quando ele deixa uma vaga vazia no meu coração. Ainda bem que cá estás para me segurar na chávena de cacau antes de ela cair por eu não ter mais força de a segurar. Ainda bem que cá estás para me acender o cigarro, só porque sabes que me faz bem à alma. Ainda bem que cá estás para me sussurrar melodias e poemas belos durante a noite pois isso acalma-me o coração. Mas sabes?, ele não é como tu, não me deixa sem avisar, nem sequer é típico dele deixar-me.. Não entendo o que se passou. Apesar de tu nunca me deixares completamente não é assim? Tomas sempre conta de mim, à tua maneira. E eu até gosto disso, de certa forma. Tsuki, achas que ele ganhou medo de mim? Achas que foi por isso que ele partiu? Achas que o meu mundo ao descoberto o assustou demasiado? Eu estou a tentar entender, juro! Mas é tão complicado, como é que alguém pode ser tão imprevisível? Para isso já bastava eu..
A verdade, é que a mim já nada me impressiona ou assusta até., mas tu, tu não tens medo de mim, e conheces-me toda. 
Porquê?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sinto-me a acompanhar muito bem o teu, ou mais nosso, crescimento. Sou cada vez mais tu e oh, isso faz-me tão bem. Sinto-me anestesiada, não sinto dor, não sinto o toque. Já não sinto. E não sei se isso é bom ou mau. Mas sabe-me tão bem. Sabe-me pela vida., aquela que nunca realmente tive. Sinto cada dia, a tua concha a abrir-se mais, lentamente, e a sugar-me para ela. Mas sem pressa, para eu poder apreciar toda a viagem. Acho que ainda dá tempo de fumar mais um cigarro ou dois, ou de beber uma caneca de cacau quente. Preciso mesmo desse aconchego, pois já não há mais nada que afaste a frieza do outro mundo. Mas sabes?, esse frio nunca me congela totalmente, porque a pequena chama, a tua chama, ainda consegue fazer o meu coração não parar de palpitar. Se é que ele ainda o sabe fazer.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A vontade de fugir, permanentemente, para este mundo é crescente. Crescente e constante. Não suporto continuar a pisar este chão plano, e seco, por muito mais tempo. Como quando obrigamos uma caixa a suportar mais peso do que realmente é capaz. Transborda. E a minha alma começou mesmo a transbordar, e começa também a exigir um corpo próprio. Ela quer ir além do que vê, além do tanto que já sente. Ela anseia por tocar no mundo, anseia por viver com os seus olhos negros. Essa tua maneira veloz de me consumir até que é doce. Mas ela é uma alma tipicamente tímida. E tem tanto medo da alma dos outros! Medo do seu lado sem cor. E mais medo tem de perder a própria. Nunca costumávamos conversar muito, apenas o necessário. Mas nestes tempos, temos passado tardes inteiras no baloiço com forma de Lua ao som de um violino mimado. A companhia dela é harmoniosa, tão..
Quando já se faz tarde e o céu escurece, dando lugar a diversos pontos luminosos, ela sussurra-me bem ao ouvido: Deixemos de ser segredo, Pan. 
Eu deixo-te entrar pequenina, apodera-te lá de mim. Afinal de contas, não tenho nada que me prenda a este sitio.
Estou aqui com as nossas bolachas de baunilha e canela e sumo de mirtilo. Despacha-te, que o tempo aqui, esgota-se rápido.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tudo me parecia, de certa forma, desconhecido. A palidez do quarto, o forte aroma a cigarro e três maços vazios, o café e o cacau quente entornados sob o tapete, os papeis dos chocolates mars escondidos por baixo da cama, as roupas espalhadas pelos vários cantos da casa, a janela semi-aberta, a voz muda e rouca do silêncio, os livros caídos da prateleira, os olhares desconfiados do espelho e as recentes memórias da exaltada noite anterior. À medida que ia caminhando pelo corredor, tudo começou a fazer mais sentido. A parecer-me algo familiar. Mas quem seria aquela figura pouco estranha que imitava todos os meus movimentos e expressões? E porque me parecia tão assustada? De qualquer das formas, sentei-me no pequeno sofá da sala de estar, que se encontrava ao lado do piano, com a cabeça entre as pernas. Sem pensar em nada. Deixei-me estar assim, uns tempos que não soube definir. Podiam ter sido anos, até. Os olhos pesavam-me como dois grandes tijolos e deixei-os cair, por fim. Senti alguém tocar-me cautelosamente nos cabelos, eram uns dedos bonitos. Sabia-o só pelo seu toque. E eram bem perspicazes, os meus ouvidos não enganam, e a melodia que tocara também não. Não consegui saber mais, adormeci.