Os livros já estão espalhados sob a cama, prontos a ser folheados. A chuva cai pausadamente lá fora e eu observo-a, e sigo-a como quem está a ser hipnotizado. A vontade de estudar foi de viagem, e já está tão longe.. Oh se está!, Estou agora a olhar para ti, empoleirada na minha janela, tão atenta quanto eu, à chuva que escorre pela vidraça. Fitei o tecto, a tentar imaginar como seria ver pelos teus olhos tão mais escuros que os meus. Estou certa que seria fascinante. Mas, sabes o que seria ainda mais fascinante? Ter essas tuas asas brancas, tão frágeis, tão cheias vida, tão não eu. Oh, ainda se eu fosse como tu e não soubesse o que é a maldade, provavelmente teria asas também. Que inveja, confesso..
Por agora vou limitar-me à minha insignificância, e tentar dar asas à minha inteligência, para ver se capto alguma coisa, que bem preciso.
