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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Tu sabes que eu odeio ser provocada, ser obrigada a sair do meu cantinho (pacífico), odeio que me perturbem, sabes que eu odeio discussões, que eu odeio infantilidades, que eu odeio multidões e barulho, tu sabes que eu odeio cenas que os façam ficar a olhar, tu sabes que eu odeio que segredem perto de mim, que odeio olhares presunçosos, odeio que me deixem ficar sozinha, gelada ou abalada, odeio que me ignorem, tu sabes bem que odeio o teu sarcasmo, a tua indiferença, a tua desonestidade, a tua frieza com as palavras e com os teus gestos e a tua falta de coragem. Mas principalmente, sabes bem que odeio toda essa tua estupidez. E essa? Essa não te falta, nem um pingo.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Os livros já estão espalhados sob a cama, prontos a ser folheados. A chuva cai pausadamente lá fora e eu observo-a, e sigo-a como quem está a ser hipnotizado. A vontade de estudar foi de viagem, e já está tão longe.. Oh se está!, Estou agora a olhar para ti, empoleirada na minha janela, tão atenta quanto eu, à chuva que escorre pela vidraça. Fitei o tecto, a tentar imaginar como seria ver pelos teus olhos tão mais escuros que os meus. Estou certa que seria fascinante. Mas, sabes o que seria ainda mais fascinante? Ter essas tuas asas brancas, tão frágeis, tão cheias vida, tão não eu. Oh, ainda se eu fosse como tu e não soubesse o que é a maldade, provavelmente teria asas também. Que inveja, confesso..
Por agora vou limitar-me à minha insignificância, e tentar dar asas à minha inteligência, para ver se capto alguma coisa, que bem preciso.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Sinto-me a acompanhar muito bem o teu, ou mais nosso, crescimento. Sou cada vez mais tu e oh, isso faz-me tão bem. Sinto-me anestesiada, não sinto dor, não sinto o toque. Já não sinto. E não sei se isso é bom ou mau. Mas sabe-me tão bem. Sabe-me pela vida., aquela que nunca realmente tive. Sinto cada dia, a tua concha a abrir-se mais, lentamente, e a sugar-me para ela. Mas sem pressa, para eu poder apreciar toda a viagem. Acho que ainda dá tempo de fumar mais um cigarro ou dois, ou de beber uma caneca de cacau quente. Preciso mesmo desse aconchego, pois já não há mais nada que afaste a frieza do outro mundo. Mas sabes?, esse frio nunca me congela totalmente, porque a pequena chama, a tua chama, ainda consegue fazer o meu coração não parar de palpitar. Se é que ele ainda o sabe fazer.
sábado, 26 de novembro de 2011
"Porque estás sempre tão fria?" "Sei lá., nunca ninguém teve a preocupação de me aquecer." "Aposto que se for eu consigo!" "Podes tentar.."
Vem lá então, usar todo esse teu calor para me aconchegar, vem, se tens assim tanta coragem como dizes.
Um pouco mais perto. Isso.. Vês? Não custou muito pois não? Sinto.. Sinto-me a aquecer, falta só.. Oh, abraça-me duma vez!
",estás com medo?.." "Porque raio teria medo de ti?" "Se fosse eu, teria." "está calada."
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