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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

I've the all world in my shoulders. It's heavy, i must say.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quando dei por mim, já tinha voltado aos meus instintos. Estava com a cabeça apoiada numa almofada com cheiro a canela e um cobertor enorme, encarnado. Estava escuro, muito escuro. Ou talvez, não assim tão escuro., pois via-se pequenos pontos luminosos salpicados nas janelas. Calculei que fosse noite. Antes de começar a fazer perguntas soltas ou a vaguear pela sala vazia tentei medir a minha sanidade mental. "Não estava má de todo." Sentei-me, tentando distinguir os tons mais claros dos mais escuros, da sala. O dono das mãos melodiosas caminhava lentamente na minha direcção. Comecei a ter a sensação que devia estar com um aspecto horrível e estava também com um gosto amargo na garganta, que se alastrava até à língua. Devagar, ele pousou a mão na minha cabeça e acarinhou-a. Acho que murmurei algo parecido a "não estou a entender" e de seguida ele apontou uma direcção com o dedo indicador, mostrando-me o caminho para a casa de banho. O sorriso amável dele já me estava a mexer com o sistema nervoso, confesso. Levantei-me rapidamente, fiquei com tonturas, mas tentei caminhar o mais normalmente possível até à casa de banho. Liguei a água quente e fiquei a senti-la, escorrer pelos nós dos dedos e brincando com ela. De seguida despi-me e entrei na banheira., deixando a água caminhar pelo meu corpo perturbado. Mas que raio?..
Esqueci o resto, a água absorveu-me por instantes.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tudo me parecia, de certa forma, desconhecido. A palidez do quarto, o forte aroma a cigarro e três maços vazios, o café e o cacau quente entornados sob o tapete, os papeis dos chocolates mars escondidos por baixo da cama, as roupas espalhadas pelos vários cantos da casa, a janela semi-aberta, a voz muda e rouca do silêncio, os livros caídos da prateleira, os olhares desconfiados do espelho e as recentes memórias da exaltada noite anterior. À medida que ia caminhando pelo corredor, tudo começou a fazer mais sentido. A parecer-me algo familiar. Mas quem seria aquela figura pouco estranha que imitava todos os meus movimentos e expressões? E porque me parecia tão assustada? De qualquer das formas, sentei-me no pequeno sofá da sala de estar, que se encontrava ao lado do piano, com a cabeça entre as pernas. Sem pensar em nada. Deixei-me estar assim, uns tempos que não soube definir. Podiam ter sido anos, até. Os olhos pesavam-me como dois grandes tijolos e deixei-os cair, por fim. Senti alguém tocar-me cautelosamente nos cabelos, eram uns dedos bonitos. Sabia-o só pelo seu toque. E eram bem perspicazes, os meus ouvidos não enganam, e a melodia que tocara também não. Não consegui saber mais, adormeci.