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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Oh meninas, desculpem chamar-vos daquela maneira brusca.. Mas estava tão a precisar das nossas reuniões às cortinas fechadas, que foi instintivo. Um impulso. Tinha de desabafar, tenho o mundo a cair-me aos pés., vocês entendem o porquê. Sinto-me uma egoísta por o querer, logo agora, quando outro ser precisa dele muito, muito mais que eu. Mas o meu coração não pensa assim, e a vontade incontrolável de o ir buscar está a tornar-se selvagem. Não sei o que fazer, estou a perder o raciocínio. Acho que já não é só o querer, é também o precisar dele. Oh, e eu preciso tanto - tanto mesmo. É estranho imaginar-me lá, sem o ter por perto., a passar por mim com o sorriso rasgado, os olhos negros e o cigarro por acender. Ou os seus braços grandes a envolverem-me, os seus beijinhos nas bochechas e os sussurros ternos.. Não quero pensar, não me quero lembrar, não quero. Tirem-me essa capacidade, por favor, só o tempo suficiente até ele voltar.. Coisa que neste momento, é intemporal. Que se dane, preciso de um cigarro. Ou dois. Três. Desliguem as luzes e ponham Breaking Benjamin a tocar, vão buscar as chávenas. E hoje ficamos por aqui pequenas, à janela, a enublar a noite.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Já não era sem tempo de esta semana acabar., estava realmente farta dela. Mas o que importa é que estamos novamente juntas no telhado, com os teus cigarros de chocolate, os meus rebuçados com sabor a nata, as tuas mantas de lã, as minhas chávenas de cacau quente e café e os nossos sussurros com as estrelas e a lua. Gostei da maneira como nos aproximámos naquela tarde. Quando chegaste perto de mim, e, um pouco a medo me ofereceste um cigarro e ficamos ali, a falar; De mim, de ti, do meu mundo, do teu, de tudo e de nada. É assombrante a quantidade de coisas que sabes!, gosto da tua companhia. Tanto. E faz-me bem. Tão.

domingo, 27 de novembro de 2011

Não te tenho visto ultimamente no telhado da casa grande, com os teus normais cigarros de chocolate. Sempre que passo pela rua e sempre antes de enfiar a chave na porta principal, desvio o olhar, cuidadosamente, para a tua janela e percorro o seu interior, na esperança de te ver. Sabes?, sempre te quis pedir um desses cigarros ou até fumá-los a meias contigo. Mas eu sou um alguém solitário e tu também não me pareces de muitas falas. Nunca te vi com ninguém; Apenas com o teu pequenino gato manchado. Talvez ganhe coragem para te pedir um cigarro hoje ou talvez me amedronte e fique só a observar-te de longe. Pelo sim pelo não, estou sentada na janela do sótão, à espera de ouvir a tua a abrir e ver a menina dos cabelos encaracolados espreitar cá para fora. Reparei agora que, os nossos telhados estão a um passo de distância. As tuas leves cortinas acabaram de se mover, consigo ver pelo canto do olho o teu sorriso. Já estás cá fora. Vou tentar..